Eu não sou o noivo

Por Bruna Martins

No dia do meu casamento, um dos nossos padrinhos levou meu marido em uma barbearia toda especial. Lá ele foi cuidado e atendido com extrema dedicação: teve o melhor corte de cabelo, cuidados com a barba e todo o tipo de preparação que um noivo poderia ter. Toda a atenção estava voltada para ele, como deveria ser naquele dia tão especial de nossas vidas.

Era um dia alegre para todos nós: noivos, família, padrinhos e amigos. Todos havíamos aguardado com grande expectativa esse momento e ele, finalmente, chegara.

Mas o melhor de tudo é que todos se alegravam conosco: este padrinho não requereu para si uma atenção exclusiva na barbearia; ele não estragou a preparação do noivo por querer estar mais bem arrumado ou mais bonito do que o meu futuro marido. Sua alegria era por poder fazer parte desse momento, mesmo não sendo a pessoa mais importante da cerimônia.

Mas imagine o que aconteceria se a atitude desse padrinho fosse outra! Imagine um padrinho que busca ser o centro de todo o casamento: um amigo que quer sair em todas as fotos oficiais; que procura prejudicar o noivo para que todos se voltem para ele; ou ainda que tenta conquistar a noiva! Absurdo, não?

Pois é! Infelizmente, muitas vezes fazemos isso – conscientemente ou não. No capítulo 3 de João, os discípulos de João Batista vão a ele indignados porque o Messias – aquele sobre quem João tanto havia anunciado – agora também estava batizando. Mais do que isso, os seguidores de João estavam deixando-o para seguir a Jesus. Os discípulos foram correndo procurar João Batista, para que ele tomasse alguma providência, afinal, isso implicaria perder seguidores, ter sua causa minguada e todas as suas expectativas frustradas.

João, então, coloca as coisas na perspectiva correta. Ele já havia dito CLARAMENTE que ele não era o Messias, mas que apenas lhe preparava o caminho; como ele poderia querer roubar os seguidores daquele a quem anunciava? João era o amigo do noivo – e não o noivo! João se alegrava com o noivo e com o seu casamento com a noiva, mas sabia que sempre seria o amigo.

João queria que o noivo recebesse todo o destaque, mérito e louvor. Nesse contexto, ele fala um dos versículos mais conhecidos das Escrituras: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

A pergunta que precisa ser feita agora é: será que eu e você não temos deturpado nosso papel? Vejo uma geração cheia de “mimimi’s”, que se ofende rápido, mas com velocidade ainda maior quer estar nos holofotes; vejo pessoas que escolhem onde servirão a igreja de Cristo pela visibilidade que isso trará; vejo pessoas que dizem fazer grandes coisas para o Reino, mas que no fim, só querem servir a si mesmas. Cada vez mais vejo pessoas querendo ser servidas, aparecer em programas, organizar atividades, ensinar classes grandes, mas cada vez com menos disponibilidade para cuidar de bebês em um berçário, limpar o chão antes ou depois de uma atividade ou hospedar algum irmão desconhecido. É importante deixar claro que não há nada de errado em fazer as primeiras, desde que não esqueçamos das últimas.

A quem tem sido dada a glória pelo serviço executado? A nós ou ao Deus soberano que nos capacita para tal? As “brigas” que temos comprado são nossas ou são do Evangelho? Temos nos preocupado apenas em anunciar a Cristo ou queremos algum mérito pelas vezes que testemunhamos sobre o que Ele fez em nós e por nós?

Cristo é o noivo e, assim como João, nós somos apenas os amigos do noivo! Se nós não aparecermos no casamento, ele ainda estará lá! Se nós falharmos em nossa missão, ele ainda estará lá! Somos apenas as testemunhas – nada mais.

Agora, esse “apenas” de forma alguma é pejorativo, mas um delimitador: nós temos o privilégio de sermos chamados de amigos de Deus; temos o privilégio de testemunhar a respeito dele e, mais do que isso, somos convidados para o casamento, para segui-Lo. Hoje, a partir do Novo Testamento, nós os salvos fazemos parte da noiva de Cristo, por quem Cristo se entregou. Por que almejaríamos uma alegria maior?

Precisamos, assim como João Batista, entender nossa função e nos alegrarmos com a obra de Cristo. Todo o ministério de João girou em torno do Messias: ele levou homens e mulheres a Cristo e, quando ele veio, se alegrou em manter-se em segundo plano.

Que possamos desejar, de todo o nosso coração, que Cristo cresça e que nós diminuamos a cada dia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s