#Estudo: Balões de Gás Hélio

Por Bruna Martins

Festas de aniversário são sempre bons eventos para participar! O ambiente é alegre, as pessoas sempre sorriem, são simpáticas, encontram bons e velhos amigos, as crianças correm e brincam livres, enquanto os adultos atualizam a conversa da semana, meses e, em alguns casos, anos. Algo que me encanta desde criança certamente é a decoração da festa – mais precisamente, os balões de ar! Se eles forem de gás hélio então…nossa! É incrível ver como ficam amarrados, dando todo o charme da festa: eles são coloridos, se agitam com o vento, dançam e se movem alegremente – quase parecem livres. As crianças se encantam com eles e os adultos fotografam seus filhos – ou os filhos de seus amigos – sem parar.

Sempre pensei que os balões fossem bem simples de serem trabalhados afinal, que dificuldade pode haver em colocar a ponta do balão na mangueira do gás e deixar que o trabalho seja feito sozinho? Sempre pensei assim, até que precisei montar a decoração do chá de bebê do meu sobrinho – com balões de gás hélio. Minha irmã deu exatamente essas instruções: “é só encher os balões e amarrar; só tome cuidado para eles não voarem”. Isso foi como não dizer nada! Era simplesmente impossível segurar os balões: colocamos embaixo de mesas e cadeiras, mas o vento batia e eles iam embora; amarramos alguns em sacos plásticos, e os sacos voavam com eles! Realmente achamos que a festa jamais ficaria pronta, já que tínhamos perdido dezenas desses balões no ar.

Foi uma experiência interessante, que me leva a pensar em nosso próprio coração. Como Jeremias 17.9 nos diz, “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”.

Assim como o gás hélio, nosso coração guia nossa vida: ele infla nosso ser, a ponto de sermos levados por qualquer vento, tornando impossível dominá-lo apenas pela capacidade humana.

Os balões, assim como nosso ego inflado, lembram os fariseus tão duramente confrontados por Jesus: eles são como sepulcros caiados (Mt 23.27), bonitos por fora, mas vazios e inúteis por dentro. O salmista conclui que o arrogante e presunçoso não busca a Deus e nem dá lugar a Ele em seus planos (Sl 10.4), o que caracteriza uma vida de impiedade. Eles realmente podem parecer belos trabalhando na igreja, correndo atrás de pessoas para ajudar e vivendo no eixo das atividades, mas se não buscarem ter Deus como o centro da vida e o receptor de toda a glória, nada do que fizerem trará frutos ou passará à vista dAquele que sonda os corações (Rm 8.27).

Uma das grandes ousadias do arrogante é fazer elogios a si mesmo. Ele busca exaltar-se sobre outras pessoas, tornando-se o centro das atenções e conversas, manipulando qualquer assunto em torno de si mesmo. O livro de Provérbios traz um alerta claro e contundente sobre isso: “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios” (27.2). Pensando friamente, é difícil entender como alguém seria ousado a esse ponto: a não ser que esteja em uma entrevista de emprego, onde se é obrigado a isso, falar bem de si mesmo sem motivos claros parece não fazer muito sentido. No entanto, isso acontece com alguns e, pior do que isso, quase todos fazemos isso em nosso coração, em segredo de outros. E aqui cabe mais uma pergunta retórica: o fato de não externar isso, muda alguma coisa? Deixa de ofender ou ofende menos ao Senhor? Essa necessidade de exaltar-se vem da falta de reconhecer quem é Deus e quem é o homem. Paulo exemplifica através de uma oliveira com ramos enxertados:

Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você. (Rm 11.17,18)

O homem tem a tendência de exaltar-se porque não reconhece que quem ele é ou o que tem foi dado por outro. Não importa quem seja ou o que tenha, foi Deus que o capacitou e concedeu graciosamente, de acordo com a Sua vontade (I Co 4.7). Assim, Paulo nos exorta a ter um conceito correto e equilibrado sobre nós mesmos, não sendo este mais elevado do que se deve ter, mas um conceito que está baseado na medida de fé que Deus nos deu (Rm 12.3), pois, caso contrário, estaremos apenas nos enganando (Gl 6.3).

Agora, como podemos combater isso? Como ter um conceito equilibrado de nós mesmos? Como não nos exaltarmos sobre outros? A única esperança para isso é Cristo. Precisamos desenvolver sua mente e seu caráter, para termos as mesmas atitudes em relação a outros.

Filipenses 2 é um dos textos mais belos que resume como Cristo agiu, fazendo um apelo à igreja para que procedesse do mesmo modo:

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! (Filipenses 2.5-8)

Cristo não veio para servir; Ele não esperava receber a glória que lhe era devida, ou a gratidão e reconhecimento que merecia por ter vindo resgatar a humanidade. Pelo contrário: Ele sabia que seria rejeitado, humilhado e zombado, mas isso não o impediu de realizar a obra que precisava ser cumprida. Como Marcos nos relata, o Filho do homem não veio para ser servido, “mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45).

Cristo morreu com o propósito de salvar a humanidade, mas essa redenção oferecida também tem uma razão: “e ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (II Co 5.15). O propósito de Cristo não se encerra no dia da nossa conversão, mas ele continua a se desenrolar pelo restante de nossas vidas. Desenvolver a mente de Cristo é exatamente isso: ter o mesmo modo de pensar, ao ponto de também sacrificar-se por outros – e não exaltar-se sobre outros.

Quando finalmente reconhecermos quem Deus é e quão pequenos nós somos, nosso ego desinflará. Davi expressa esse conhecimento no Salmo 8:

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes? (vs. 3,4)

Davi olhou para a criação de Deus e prostrou-se em adoração; ele olhou para si mesmo e percebeu que não era digno da atenção de Deus. Se aquele que foi chamado de “homem segundo o coração de Deus” não se achava digno de receber qualquer mérito ou reconhecimento, porque nós haveríamos de achar?

Há, porém, algo que não mencionei sobre os balões de ar: o gás hélio dura, em média, 6 horas; depois disso seu efeito passa e os balões se tornam simples bexigas no chão que, basta passar uma noite, já começam a murchar e apagar-se. Ao contrário dos balões de ar, não há nada de belo em bexigas murchas: elas lembram algo passado que, em algum momento, até pode ser belo, mas que agora estava esquecido. Assim é o orgulhoso e arrogante: sua glória, fama e popularidade podem até durar um pouco, mas logo passarão e ficará apenas o vestígio triste e apagado de uma vida que procurou honra para si mesmo em lugar de Deus. “Para nada mais servirá, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens” (Mt 5.13).

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2 comentários sobre “#Estudo: Balões de Gás Hélio

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